Uma Batalha Após a Outra: O Filme que Define um Século
Descubra como 'Uma Batalha Após a Outra' de Paul Thomas Anderson explora questões contemporâneas de imigração e laços familiares, enquanto redefine as narrativas do cinema moderno.
74%
Avaliação dos usuários
Sinopse
Paul Thomas Anderson
Produtor, DiretorSara Murphy
ProdutorAdam Somner
Produtor
Uma Batalha Após a Outra me pareceu um filme competente e bem feito, daqueles que prendem a atenção e entregam uma experiência sólida, mas sem virar um "uau" inesquecível, por isso o meu 7/10. O que mais funciona é o ritmo (quase sempre firme), a sensação de tensão crescente e o cuidado na direção em várias cenas, que conseguem criar impacto mesmo quando o roteiro não está no seu ponto mais inspirado. As atuações sustentam bem a proposta e ajudam a gente a comprar o conflito, embora alguns personagens pareçam mais "funções da trama" do que pessoas completas. Ainda assim, o filme tem boas ideias, acerta no clima e deixa uma impressão positiva no conjunto, só faltou aquele tempero extra, seja mais profundidade emocional, reviravoltas mais marcantes ou um final mais forte, para subir de patamar. Só que eu acho que é um daqueles filmes pra se ver uma vez apenas. Assisti na HBO MAX.
One Battle After Another é um olhar sardónico sobre temas pesados. Se fosse uma pessoa, seria aquele tipo que todos conhecemos, que não leva nada a sério, faz piadas sobre tudo, mas nos seus olhos percebe-se que aquilo é um mecanismo de defesa e lá dentro reina o terror do mundo à sua volta. A sua história é, à primeira vista, simples. Pat (Leo DiCaprio) e Perfidia (Teyana Taylor) são revolucionários, membros de um grupo de extrema-esquerda que procura, através de ataques ao sistema, precipitar a revolta e a mudança de regime. Quando o grupo é desbandado, os seus membros capturados pelas forças da lei, Pat, agora Bob, foge com a filha recém-nascida de ambos e inicia uma vida de clandestinidade. Steven J. Lockjaw (Sean Penn) é uma alta figura da agência anti-imigração que, em troca de proteção, coagiu Perfidia a iniciar uma relação sexual, facto que 16 anos mais tarde ameaça descarrilar a sua entrada numa sociedade secreta de supremacia branca a operar nos mais altos níveis do governo. Lockjaw inicia então uma caçada a Bob e à sua filha, para enterrar o seu segredo. O que se segue é uma fuga desesperada e a exumação de verdades sórdidas. Esta aparente simplicidade é um canto de sereia ao espetador. Dentro dela encontramos uma dinâmica de géneros, exemplificada pela relação de Perfidia e Lockjaw, um homem conservador, racista, mas que revela, no seu interior, o desejo de ser dominado e humilhado pelo objeto do seu ódio. Lockjaw é uma figura que se revela no desenrolar da trama, cada vez mais patético, um homem pequeno de alma, cruel de coração. Mendiga a validação dos seus superiores e pisa os que perceciona como inferiores. Embora a sua ligação a Perfidia seja profundamente tóxica, baseada na força e ameaça, o seu poder é ilusório, pois é Perfidia que o domina, usa e descarta quando a sua utilidade cessa. Perfidia é a personagem mais fascinante de toda a peça. Supostamente revolucionária por vocação, torna-se imediatamente claro que a sua atividade é impulsionada mais pelo vício do risco, pela adrenalina de viver fora da lei, no submundo, a ideologia apenas uma desculpa para causar caos e nele realizar-se. A revolução é uma desculpa, a revolucionária uma persona cuidadosamente construída para servir de álibi à sua própria psique, uma justificação para o seu endeusamento da anarquia, da sua propensão inata à entropia. A sua presença é magnética, Teyana Taylor é sublime, capturando o carisma irresistível e a sedução selvagem de Perfidia. Sem ela, o filme nunca mais é o mesmo. Uma pena. DiCaprio é suficiente como Bob. Sean Penn é superiormente mesquinho e contido. Um mestre. Impossível não referir Benicio Del Toro que, num papel secundário, com apenas uma mão cheia de cenas, deixa a sua marca indelével em toda a fita. A sua personagem, “Sensei”, contrasta com os revolucionários do grupo de Bob. Enquanto estes se agarram ao dogma, às ações de guerrilha sem sentido cujo efeito é apenas performativo, Sérgio St. Carlos, Sensei de um dojo de karaté, é líder de uma célula de resistência que protege pessoas reais, as vítimas da perseguição anti-imigração do governo. Fá-lo na obscuridade, sem gritar slogans cansados nem procurar mais do que assegurar a sobrevivência do seu povo. É, aliás, a forma como os revolucionários são apresentados que pode causar algum desconforto. Brotado, talvez, de uma tentativa de infundir o roteiro de alguma neutralidade, o grupo de Bob, French 75, é reduzido a nada mais do que um misto de incompetência, delírio e, mesmo, estupidez. Mais _cosplayers_ do que revolucionários. É uma tentativa desastrada de _«both-sidesism»_ de P.T. Anderson que peca pelo absurdo. Do outro lado da barricada, as ações das forças governamentais emulam o que se passa no mundo real, com as ações selváticas do ICE, nos EUA, país dos livres, bastião da democracia e da «rule of law». O retrato é fiel, frio, sem condenação aparente ou sermão, apenas a exibição crua de ações que fariam Reinhard Heydrich orgulhoso. Paul Thomas Anderson é magistral, fazendo jus ao seu estatuto no panteão dos melhores realizadores vivos. O filme é longo, mas com um ritmo maníaco, cenas claustrofóbicas onde reina a pressão psicológica, entrecortadas com uma sátira contida que funciona a maior parte das vezes. A perseguição de automóvel é gloriosa. Não é o seu melhor filme, nem sequer está perto. Todavia, é uma obra digna de atenção. Balança-se na dicotomia entre seriedade e humor, entre liberdade e opressão, entre o grito da revolução e a impossibilidade dela. O problema é que ensaia dizer algo e acaba por não dizer nada, deixando no ar o aroma da cobardia.
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Descubra como 'Uma Batalha Após a Outra' de Paul Thomas Anderson explora questões contemporâneas de imigração e laços familiares, enquanto redefine as narrativas do cinema moderno.
Descubra como 'Uma Batalha Após a Outra' retrata a luta social sob uma nova perspectiva, com Leonardo DiCaprio no papel principal. Uma reflexão potente sobre revolução, humor e a complexidade das relações humanas.
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