Os Incompreendidos

Os Incompreendidos (1959)

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01/01/1959 Drama 1h 39min

80%

Avaliação dos usuários

Escrever uma Crítica

Um rapaz enfrenta uma tendência infernal para a violência

Sinopse

Antoine Doinel, a figura representativa do cinema de Truffaut, vive uma infância marcada pela ausência dos pais, a severidade dos professores e pequenos delitos. Baseado nas próprias experiências do diretor, o filme fez parte da inovação cinematográfica que deu origem à Nouvelle Vague.

François Truffaut

Diretor, Produtor, Roteirista

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Críticas dos Especialistas
Filipe Manuel Neto

Filipe Manuel Neto

Escrita em 30 de Junho de 2025

**Um filme fruto do seu próprio tempo, mas que não traz muito para os públicos actuais.** Este é considerado um dos maiores filmes da obra de François Truffaut, um dos cineastas mais eminentes da Nouvelle Vague francesa. Sinceramente, é um filme que faz pouco por mim, na medida em que não me sinto inspirado por esta vontade de mostrar coisas que o cinema convencional não gosta de mostrar. Truffaut, com este filme, quer provocar o seu público mostrando-lhes algo que eles não gostam de ver, com um realismo cru no qual eu senti, muito claramente, uma influência do neo-realismo italiano. O filme foi nomeado ao Óscar, mas obviamente perdeu, a Academia não estava preparada para algo assim. Neste filme, acompanhamos a descida de um jovem pré-adolescente ao mundo rebelde da delinquência juvenil perante a aparente passividade de uma mãe que não o sabe ser, e de um padrasto que não se importa. Ele não faz nada verdadeiramente horrível, não vai traficar nem rouba carteiras nos transportes públicos, o que ele faz seria hoje alvo de uma reprimenda dura, mas só isso. Não vou detalhar o percurso, apenas dizer o que senti: senti tristeza, pensei que aquele jovem vivia numa família sem qualquer amor e bem poderia ser o avô de algum rapaz da mesma idade neste momento. Pensei que exemplo daria ele a um filho no futuro… isso entristece qualquer um, creio eu. Truffaut apresenta a história como se de um filme caseiro se tratasse, a qualidade de imagem é boa e temos aqui um excelente trabalho de filmagem e de cinematografia, mas uma banda sonora algo irritante. Nenhum dos actores é conhecido, pelo menos eu não sei quem são, e acho que isso foi decisão intencional do director. No entanto, o argumento escrito e a construção das personagens falham em estabelecer um laço empático entre elas e o público: apesar de a história ser triste, não me senti mesmo preocupado com o destino daquele rapaz em específico, nem de qualquer personagem. Este é, sem dúvida, um filme filho do seu tempo, muito questionador e atrevido, mas que é incapaz de trazer algo para o nosso tempo. Naqueles anos, a delinquência era algo que talvez preocupasse as pessoas ao ponto de pequenas travessuras parecerem um problema. Hoje em dia parece que isso se normalizou: faltar à escola nos dias actuais é mais um acto de rebeldia adolescente que um problema grave e os pais não parecem preocupar-se muito com essas coisas. No entanto, os problemas que normalizamos, mais tarde ou mais cedo, trarão problemas novos. Esta aceitação do estado de coisas ocorre porque não sabemos como resolver as coisas, sendo mais cómodo para nós aceitá-las, dizer que agora as coisas são assim, pronto. É por isso que a nossa sociedade anda perdida, incapaz de dar resposta a problemas sociais graves. Da mesma forma que os jovens são delinquentes, não sabendo ser bons filhos, dificilmente serão bons pais. E de facto, a maior parte dos pais de hoje é absolutamente impotente, estão demasiado ocupados a serem de tudo nesta vida, excepto educadores dos seus filhos, e por isso descarregam a tarefa de educar em professores sem autoridade nenhuma e demasiado sobrecarregados com turmas infinitas e papelada. E assim os problemas vão crescendo sem solução, numa sociedade onde a estrutura familiar há muito desabou sobre si mesma e a maioria das pessoas vive escrava… do “Mercado”, das “Tendências”, do “Scrolling” constante de uma vida vazia como um comboio cheio em hora de ponta.

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