Pedro Quintão
Escrita em 11 de Janeiro de 2026
Vi The Housemaid quase às cegas, apenas sabia era uma adaptação literária e que a trama estava carregada de mistério, e isso acabou por jogar muito a favor da minha experiência. O filme envolveu-me praticamente desde o início e nunca senti aquelas duas horas a arrastarem-se, muito pelo contrário. O ritmo é excelente, há sempre algum drama ou uma pequena surpresa a acontecer e, principalmente, existe a sensação constante de que nem tudo é o que parece, que é um dks trunfos para manter-nos agarrados até ao fim.
Sydney Sweeney e Amanda Seyfried carregam o filme com personagens sólidas, que partilham uma estranha química, que na minha opinião foi desconfortável e intrigante. E por falar em personagens, há algumas que rapidamente passamos a detestar e outras que aprendemos a gostar ente segredos que vão sendo revelados aos poucos e algumas reviravoltas que me apanharam completamente desprevenido ao ponto de levar a mão à boca a suspirar de choque. Então, posso assegurar que The Housemaid é um thriller envolvente, eficaz e que toca em temas bastante pesados, como o trauma e como a rigidez pode afetar a vida e o psicológico de outras pessoas.
Dito isto, tenho algumas reservas que surgem sobretudo na reta final. Quando as grandes reviravoltas acontecem, senti que a explicação por trás delas é um pouco apressada. Havia ali espaço para aprofundar mais certas motivações e consequências. O próprio desfecho também me deixou dividido, por ser ligeiramente irrealista, como se uma trama tão inteligente decidisse fechar as pontas soltas de uma forma fácil.
**(SPOILERS)**
Não estava minimamente à espera do twist de percebermos que a terrível e insana Nina (Amanda Seyfried) era, afinal, uma vítima de um marido abusivo, camuflada de louca e que estava a manipular todos os acontecimentos para sair de uma relação abusiva. Foi uma surpresa que funcionou muito bem e fez-me lembrar Gone Girl, sobretudo na forma como nos engana deliberadamente até sermos confrontados com a realidade. Ainda assim, gostava que os flashbacks da vida de Nina tivessem ido mais longe e mostrassem a protagonista a montar ativamente a armadilha para a Millie (Sydney Sweeney) até ao momento em que consegue finalmente escapar daquele inferno.
Mesmo não sendo uma vilã, o arco de redenção de Nina também me pareceu demasiado rápido. A forma como passou a sentir pena de Millie aconteceu de maneira demasiado fácil e pouco trabalhada.
Outro ponto que não gostei, e que para mim é o maior problema do filme, foi a forma como se livram do marido psicopata. Ele cai das escadas, morre, mas o seu corpo dá claros indícios que esteve envolvido num confronto físico, com ferimentos evidentes. Mesmo existindo uma polícia que encobre o caso, num contexto real existem outras autoridades policiais, médicos legistas e relatórios que dificilmente deixariam algo assim passar sem levantar suspeitas. Eu sei que isto é uma obra de ficção e não precisa de ser totalmente realista, mas este aspeto pareceu-me forçado demais. Podiam ter chegado ao mesmo resultado, a morte do vilão, mas com uma solução mais credível.
**(FIM DOS SPOILERS)**
Ainda assim, The Housemaid é um filme que me surpreendeu e gostei. Envolveu-me, prendeu-me e fez exatamente aquilo que um bom thriller deve fazer: manter-me curioso até ao fim. Posso dizer com toda a certeza que é um filme que me deixou com vontade de o rever, mas através de outra perspetiva, visto que agora sei o que realmente acontece naquela família.