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Los Angeles: Cidade Proibida (1997)
78%
Avaliação dos usuários
Tudo é suspeito... Todos estão á venda... E nada é o que parece ser.
Sinopse
Curtis Hanson
Roteirista, Produtor, DiretorMichael G. Nathanson
ProdutorArnon Milchan
ProdutorBrian Helgeland
RoteiristaDavid L. Wolper
Produtor ExecutivoDan Kolsrud
Produtor Executivo
Filipe Manuel Neto
Escrita em 18 de Abril de 2021**Para mim, o melhor filme de 1997 e um dos melhores do fim do milénio.** Este filme é um excelente tributo cinematográfico, homenageando, de certa maneira, não só a era dourada do cinema americano, mas também o cinema ‘noir’, com um estilo que se assemelha largamente ao visual estilizado e sombrio destes filmes, mas desprovido das sombras e do visual algo escuro que os caracteriza. O filme está hoje um pouco esquecido, ou pelo menos eu não o tenho visto passar muito nos canais de TV especializados em cinema… mas o facto é que é uma obra notável de cinema, ganhou dois Óscares (Melhor Actriz, para Kim Basinger, e Melhor Argumento Adaptado) e recebeu indicações para mais sete estatuetas (Melhor Filme, Melhor Realizador, Melhor Fotografia, Melhor Direcção de Arte, Melhor Edição, Melhor Som e Melhor Banda Sonora). Foi, de resto, o grande filme de 1997, melhor até do que *Titanic*. O filme ambienta-se nos anos dourados de Hollywood: pouco depois da prisão do maior mafioso da cidade, a polícia parece decidida a impedir a formação de novos sindicatos do crime, mas, gradualmente, a podridão e corrupção da própria força policial tornam-se evidentes. Do meio deles destacam-se três polícias, por motivos diferentes: o brutal Bud White, o egocêntrico Jack Vincennes, o determinado e incorruptível Ed Exley. Cada um deles, sozinho e à sua maneira, dá por si a investigar o mesmo crime: a morte de um polícia num massacre ocorrido no interior de um restaurante, e a sua eventual relação a um mafioso que gere uma rede de prostitutas de luxo, operadas cirurgicamente para se assemelharem a vedetas do cinema. Adorei este filme, sob todas as formas envolvente. O roteiro é extraordinário e desenvolve-se de maneira incrível, dando a cada uma das personagens o tempo para se desenvolver, mesmo a algumas que, de outro modo, seriam relegadas para um amorfo pano de fundo. Tal como num bom filme ‘noir’, as mulheres não são tão inocentes quanto aparentam, e a polícia está longe de ser a heroína desta história. Não há personagens unilaterais, todos tem um rico espaço sombrio no seu âmago, que o roteiro aproveita tanto quanto pode. O elenco é verdadeiramente colossal e está cheio de nomes grandes. Kevin Spacey consegue, com este filme, um dos seus melhores trabalhos como actor, pelo menos para mim, e o mesmo se pode dizer de Kim Basinger, numa personagem sombria e que nos relembra uma das actrizes mais injustiçadas e esquecidas da era dourada de Hollywood: Veronica Lake. Será que o Óscar atribuído a Basinger neste ano também não acabou sendo, indirectamente, um prémio póstumo a esta grande actriz, que Hollywood devorou, mas nunca estimou ou honrou? Além destes dois actores, o filme conta ainda com um excelente trabalho de dois actores australianos, Russel Crowe e Guy Pearce, ambos ao melhor nível, e um grandioso Danny De Vito, numa personagem amoral e deliciosamente hipócrita. James Cromwell foi igualmente excelente no seu papel. Tecnicamente, o filme está recheado de valor e qualidade, começando por uma cinematografia grandiosa, que evita cair no lugar-comum dos filmes noir e enche a tela de cor e luz, captando o sol californiano e a beleza da cidade nas suas cores ricas. Os locais de filmagem escolhidos para as gravações são excelentes e o seu uso criterioso ajudou o filme a enquadrar-se no período e no contexto de uma forma impecável. Os cenários e os figurinos, bem como os automóveis que foram usados, ajudam muito na criação de um ambiente e de uma noção temporal clara, e são magníficos na tela. A banda sonora, a cargo de Jerry Goldsmith, é impecável e aparece na hora certa.
5000 Caracteres Restantes.